domingo, 1 de janeiro de 2012

(in)constante

Vem e joga tua angústia num copo de cerveja, destila seu veneno acabando com a garrafa de vodka roubada. Afugenta teus pensamentos sórdidos na nuvem de fumaça de um cigarro barato. Deixa teus monstros trancafiados no vazio de tua consciencia, que de tão pesada, parece estar sobrecarregada. Vários sorrisos irão estampar teu rosto momentâneamente e todos acharão que estás feliz, até mesmo teus melhores amigos. Tua maquiagem vai começar a se desfazer e teus olhos irão tomar uma forma sonâmbula, com fortes olheiras abaixo deles. Abrace aqueles que te levam para o caminho mais fácil para a libertação de suas dores, diga que os ama.
Mas quando a noite cair novamente, e a solidão for sua companhia, e o vento lhe trazer o perfume fresco do qual tu não podes se lembrar, as lágrimas cairão sobre o que restar de tua maquiagem borrada e não haverá  nenhum braço para te envolver. Não haverá bebida que te sacie a agonia nem cigarro que te tampe a visão  frente a um espelho molhado pelo vapor do chuveiro. Quem é que te acolhe nessas horas? Onde estão teus falsos sorrisos? O que restara de ti, afinal?


sábado, 12 de novembro de 2011

Perfume de dar medo

Quando era criança, eu tinha um pesadelo que se repetia por várias e várias noites. Eu estava escondida embaixo de uma mesa branca dentro de uma sala toda branca, algumas pessoas estavam sentadas em volta, inclusive meu pai e minha mãe. Havia um padre na ponta da mesa e uma senhora de idade ao lado dela, de cabelos grisalhos, roupas sujas e rasgadas, com muitas rugas por todo o rosto, suas unhas era pontudas e mal cuidadas. Ela empunhava uma faca, dessas que se usa em cozinha mesmo, e se mostrava um tanto quanto atordoada. Eu estava com medo de sair debaixo daquela mesa e a velha me pegar, mas criei coragem e sai correndo. Foi então que percebi que estava dentro de uma igreja. Meus pais sairam correndo junto comigo pelas escadas. A senhora começou a nos seguir, correndo - a seu tempo - atrás de nós. O único caminho a se tomar era o de um labirinto, todo enfeitado com rosas pintadas de vermelho, assim como "Alice no país das Maravilhas". Enquanto fui seguindo o labirinto, tentando encontrar a saída, perdi meus pais pelo caminho e as flores e os arbustos foram ficando cinzas, como se alguém tivesse provocado uma queimada, e o cheiro de rosas mortas e tinta fresca foi invadindo meus pulmões. Tudo atrás de mim ia desaparecendo, então tropecei em algo e caí, olhei rapidamente para cima, mas a escuridão era a única coisa que havia alí. Então eu acordava, e o cheiro das rosas permanecia. Até hoje sei identificar o aroma exato, e todo esse pesadelo nunca mais saiu da minha cabeça.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Maldade corroída?

A bondade em mim foi amadurecendo, e todos sabemos que quanto mais velhos ficamos, mais inocência deixamos para trás. Passar por desafios nos faz enxergar o mundo em visões diferentes, que chamamos de escolhas, podemos realizar grandes feitos ou então foder nossas vidas, tudo depende do que fazemos com a dor adquirida.
Vi minha angústia se tornar parte da minha vida, algo que eu já não sofria mais por ter, como um câncer que não tem cura, mas que também não mata. Transformei várias vezes lágrimas em sorrisos estampados como outdoors, por trás deles sempre há um lugar sujo, de uma paisagem envelhecida e desagradável aos olhos.
Não penso tanto nas consequencias dos meus atos quanto antes, o que foi feito, está feito, e o que farei, procuro não prever nem treinar minha mente para que haja conforme foi planejado. Nem sequer planejo.
Me passam maldades pela cabeça, mas ainda me resta algum escrúpulo que me impede de coloca-las em prática. Não sei se devo agradecer por isso.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Toda dor que você sente agora, eu já senti em dobro. Isso só me deixa cada vez mais certa de que realmente, tudo que vai, volta. Então que seja, curta suas feridas, que as minha cicatrizes já viraram marcas de batalha.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Full Moon



"Far far away, no voices sounding, no one around me and you're still there. Far far away, no choices passing, no time confounds me and you're still there

In the full moons light I listen to the stream and in between the silence hear you calling me. But I don't know where I am and I don't trust who I've been and If I come home how will I ever leave?" - The Black Ghosts.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

So you think you know me now

"Have you fogotten how you would make me feel when you dragged my spirt down. But thank you for the pain. You made me raise my game, and I'm still rising."

Burn like the sun

A culpa toma conta de mim  a cada vontade estupidamente reprimida, a cada pensamento insano. Já não sei se sou capaz de suportar a ardência que meu sangue provoca em minha pele, pulsando mais e mais rápido pelas veias quando meus olhos a raptam. Insensatez ou não, o fiz. E no momento nada importava mais do que aquele único momento, os lábios rosados e macios chamando minha boca, o encontro de seu corpo ao meu, cheio de dúvida e provocação. O perfume, marca registrada, incendiava o ambiente. Fui perdendo o ar, tendo de me esforçar para respirar, o controle foi se esvaindo, escorrendo por minhas mãos que agora ocupadas, suavam frio.
Me pergunte agora em que eu penso todas as noites quando deito minha cabeça no travesseiro? O que me atormenta tanto a ponto de não me deixar dormir? E ao fim das contas peço a mim mesma para que esqueça de toda e qualquer expectativa que possa vir a criar. São todas em vão e eu já sabia disso desde o início.
E ao fim das contas, são só histórias queimando no meu passado.